sábado, 21 de maio de 2011

Possibilidade sobre Rodas

Possibilidade sobre rodas

Apesar da imensidão quase continental do nosso belo país, a maior concentração de profissionais de saúde em todas as áreas, ainda é nos grandes centros urbanos. A principal justificativa para isso, dada pelos próprios profissionais de saúde, está na falta de estrutura de cidades mais afastadas, o que não as torna atraente para se estabelecer residência fixa,o que dirá algum tipo de empreendimento na área de saúde.

Mas e se você pudesse levar a estrutura com você possibilitando atender onde quer que fosse? É essa a oportunidade que um ônibus adaptado pode trazer, não só para a Fisioterapia, como para qualquer outro profissional de saúde, possibilitando inclusive a formação de parcerias muito interessantes.

A primeira grande empreendedora dessa idéia de Fisioterapia Itinerante foi a fisioterapeuta Maria de Las Gracias Franceschini, que a mais de 30 anos vive em São Paulo, e que durante 20 anos trabalhou como terapeuta corporal em uma clínica de massagem e estética no Jardim Marajoara, na zona sul de São Paulo, mas que queria rodar pela cidade, tratando quem não podia pagar.

Em entrevista concedida ao nosso blog a Drª Maria Franceschini nos lembra que “Quantas pessoas ficam limitadas por não ter acesso a uma reabilitação adequada? Foi pensando nelas que eu tive a idéia da Fisioterapia Itinerante.”

E foi com essa idéia na cabeça que ela correu atrás de quem a desenvolvesse, ela nos conta que ”Primeiro, o conceito da Fisioterapia Itinerante foi registrado no INPI,assim quem quiser desenvolver um projeto semelhante terá que pedir licença ao órgão.Para fazer a adaptação procurei um profissional que monta Moto Home e foram gastos R$150.000,00.”

A Drª Maria Franceschini nos conta que com a idéia de debaixo do braço ela foi atrás de quem quisesse ser seu parceiro ”Quanto ao encaminhamento do projeto para as Prefeituras, Convênios e etc, foi feito. O projeto foi apresentado para diversas Secretárias de Saúde, tudo conforme pedidos e a desculpa principal foi a falta de verba, principalmente a prefeitura de São Paulo, isso há 3 anos atrás. Andei muito e levei muitos nãos. Então, sai sozinha e fui a luta, não me arrependo.” Taí um grande e excelente exemplo de atitude empreendedora.

Agora imagine as diversas possibilidades em que essa atitude pode ser uma boa idéia, quer alguns exemplos:

  • Quantas empresas reconhecem o quanto a Fisioterapia pode evitar que lesões musculares, as quais não é dada a devida atenção, podem ser motivo do afastamento de funcionários? Contudo montar a estrutura de uma clínica de Fisioterapia é alto, porém muito mais acessível e barato seria para todo mundo, se a empresa contasse com uma clínica que fosse até a empresa tratar os funcionários antes que as lesões virassem grandes problemas.
  • Quantos clubes esportivos de médio porte, nas mais diversas modalidades, não gostariam de ter um atendimento especializado de Fisioterapia para seus atletas? Porém não dispõem de verba para montar e manter uma estrutura fixa de atendimento, mas que investiriam nisso se uma alternativa mais flexível lhe fosse oferecida.
  • Quantos brasileiros que estão acima do peso, não gostariam de ser atendidos de maneira global, porém tem dificuldade de encontrar todos os profissionais que precisam num mesmo lugar, mas que pagariam se o acesso ao tratamento fosse facilitado?

E isso nos traz a possibilidade de associação com outras especialidades. A Drª Maria Franceschini percebeu essa necessidade. Ela constatou que um grande número de pacientes com dores na coluna e em outras estruturas estavam acima do peso ideal. Por esta razão, resolveu incorporar mais uma integrante na equipe, a nutricionista. Nos casos em que a obesidade desencadeou as dores, a dupla - sessões de fisioterapia e orientação nutricional foi essencial para a melhora dos pacientes. E como uma coisa puxa para outra, perder peso, muitas vezes, exigia também um acompanhamento psicológico e um psicólogo se juntou ao grupo.

Uma terapeuta ocupacional também foi incorporada ao Projeto. Ela vai até a casa de pacientes para ajudá-los na adequação das necessidades diárias, já que uma minivan também foi anexada ao Projeto para atender acamados, com impossibilidade de locomoção, domiciliados próximos aos locais onde o ônibus estaciona.

Ela nos conta também que “São profissionais preparados para as funções que exercem. São liberais, pagam seus sindicatos e seus impostos. No ônibus contribuem com a manutenção, pagam uma taxa para o óleo diesel. O que eles ganham é deles.” A Drª Maria Franceschini ressalta que “Essas pessoas são maravilhosas, precisam de carinho, de cuidados, de atenção. Como fazê-las felizes? Cuidando das dores do corpo, cuidado das emoções, cuidando do estômago, cuidando da auto estima, foi então que reuni outros profissionais e estamos juntos fazendo esse trabalho”

Os motivos que a levaram a tornar real a Fisioterapia Itinerante foi realizar o ideal de levar tratamento a quem não pode pagar muito por isso.E ela é realista para manter esse ideal no dia a dia “Gostaria ter mais ônibus e ter mais tempo para circular pela cidade, mas, infelizmente o tempo é curto, tenho que trabalhar 12 horas por dia para manter o projeto. com objetivo origina,pois o retorno financeiro é pífio, só para manutenção. Esse projeto não foi feito para dar lucro e sim para atender uma população carente”

Porém, com um bom planejamento e a prática do princípio do lucro a médio e longo prazo (não se iluda, negócio sólido e honesto, não dá lucro a curto prazo, não) e com facilidades como pagamento com cartão com crédito, por exemplo, essa é uma possibilidade que pode aproximar a Fisioterapia,em várias especialidades, de pacientes por esse nosso imenso Brasil, sem deixar de ser um bom negócio para todo mundo.

E a Drª Maria Franceschini nos deixa uma lição ”Só quem precisa de Fisioterapia é que sabe o valor do Fisioterapeuta, caso contrário nem sabem o significado de Fisioterapia. Sempre tive contato com população carente, trabalhar com eles e explicar como funciona a fisioterapia não é mais problema. É o que sempre digo para minhas colegas: não reclamem, atuem, façam valer a profissão, tem muita gente precisando de nós e na área da saúde só fica desempregada quem quer ganhar muito em pouco tempo. Tem que se doar primeiro para depois ganhar.”

Quer saber mais sobre essa possibilidade sobre rodas assista em vídeo a entrevista que a Drª Maria Franceschini ao pessoal da FISIO TV

Um comentário:

Críticas e Sugestões são bem vindas, mas existem regras:
Sem ofensas, palavrões ou expressões que ataquem a imagem da Fisioterapia ou do Fisioterapeuta
Texto escrito em português porque se vc eh uma dakelas pixoas ki teclum axxim meu sistema fica nervoso só de olhar.
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